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Renda Fixa4 min de leitura24 de junho de 2026

CRI e CRA: Como Investir com Isenção de IR e Retorno Superior

Entenda o que são CRI e CRA, por que são isentos de IR para pessoa física e como compará-los com LCI/LCA para maximizar o retorno na renda fixa.

Lucas Arcenio Boulos

Lucas Arcenio Boulos

Assessor de Investimentos · XP Investimentos · Curitiba

CRI e CRA são dois dos produtos de renda fixa mais sofisticados e rentáveis disponíveis para o investidor brasileiro — e ambos têm isenção de Imposto de Renda para pessoa física. Mas ao contrário do LCI e LCA, eles carregam um risco adicional que poucos entendem antes de investir.

O que são CRI e CRA?

O CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) são títulos de renda fixa emitidos por securitizadoras — empresas especializadas em transformar créditos privados em títulos negociáveis no mercado.

Em termos simples: uma empresa do setor imobiliário ou do agronegócio tem contratos a receber no futuro (aluguéis, financiamentos, notas promissórias). A securitizadora compra esses créditos, os empacota e emite títulos lastreados neles. Você compra esses títulos e recebe os pagamentos conforme os créditos originais vencem.

A isenção de IR foi criada para incentivar o fluxo de capital para dois setores considerados estratégicos para a economia brasileira: o imobiliário e o agronegócio.

A principal diferença em relação ao LCI e LCA

LCI e LCA também são isentos de IR — e financiam os mesmos setores. A diferença estrutural é fundamental:

  • LCI/LCA: emitidos por bancos, têm cobertura do FGC até R$ 250 mil por instituição
  • CRI/CRA: emitidos por securitizadoras, não têm cobertura do FGC

No CRI e no CRA, o risco de crédito recai diretamente sobre a empresa que gerou os recebíveis — o cedente. Se essa empresa não conseguir honrar seus pagamentos, o investidor pode não receber. Por isso, os CRI/CRA costumam pagar taxas maiores que LCI/LCA com prazo equivalente: a rentabilidade compensa o risco adicional.

Rendimentos e indexadores

CRI e CRA podem ser emitidos com diferentes indexadores:

  • IPCA + spread: o mais comum, garante retorno real acima da inflação. Taxas de IPCA + 7% a 9% ao ano são frequentes no mercado
  • % do CDI: paga uma porcentagem do CDI, similar a um CDB pós-fixado — com a vantagem da isenção de IR
  • Prefixado: taxa fixa, independente do CDI ou da inflação

Para comparar com produtos tributados, use a mesma lógica das debêntures incentivadas: divida a taxa do CRI pelo complemento da alíquota de IR. Uma CRI pagando IPCA + 8% equivale a um CDB tributado de IPCA + 9,4% (com alíquota de 15%). Qualquer CDB abaixo disso, o CRI ganha no retorno líquido.

Como avaliar um CRI ou CRA antes de investir

Sem a proteção do FGC, a análise de crédito é essencial. Avalie sempre:

  • Qualidade do cedente: quem é a empresa que gerou os recebíveis? Grandes incorporadoras, redes de varejo consolidadas ou cooperativas agrícolas de porte oferecem menos risco que empresas menores ou de histórico curto
  • Rating de crédito: agências como S&P, Moody's e Fitch classificam o risco do papel. Prefira CRI/CRA com grau de investimento (BBB- ou superior)
  • Estrutura do lastro: contratos de aluguel de imóveis de alta qualidade são mais seguros que notas promissórias de empresas menores
  • Prazo: CRI e CRA geralmente têm vencimentos de 3 a 15 anos — verifique se o horizonte está alinhado com seus objetivos
  • Liquidez: o mercado secundário ainda é limitado; na prática, considere esses produtos para carregar até o vencimento

Riscos que você precisa conhecer

Além do risco de crédito, CRI e CRA compartilham outros riscos comuns em produtos de longo prazo:

  • Risco de liquidez: vender antes do vencimento pode ser difícil e resultar em preço abaixo do esperado
  • Marcação a mercado: assim como o Tesouro IPCA+, o valor oscila conforme as taxas de juros — uma alta nas taxas desvaloriza o papel antes do vencimento
  • Risco setorial: CRAs ligados a um único segmento do agronegócio (soja, cana, café) podem ser afetados por safras ruins ou quedas de commodities

Como acessar CRI e CRA

Esses títulos são disponibilizados nas plataformas das principais corretoras — XP, BTG, Rico, Genial e Nu Invest costumam ter seleções atualizadas. O valor mínimo varia: algumas emissões aceitam a partir de R$ 1.000, outras exigem mais.

Ao acessar a plataforma, compare sempre o rendimento equivalente ajustado pelo IR com LCIs e CDBs do mesmo prazo. Títulos com risco maior precisam pagar mais — se a diferença for pequena, o CDB coberto pelo FGC pode ser a escolha mais racional.

Para quem CRI e CRA fazem sentido?

São indicados para investidores com perfil moderado a arrojado, horizonte de médio a longo prazo (3 anos ou mais) e que já têm reserva de emergência consolidada. Funcionam como complemento à carteira de renda fixa, elevando o rendimento real sem precisar migrar para renda variável. Combinados com LCI/LCA e Tesouro IPCA+, formam uma base sólida e eficiente do ponto de vista tributário.

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